Crise climática fica em segundo plano no Plano Decenal de Energia 2030 | WWF Brasil

Crise climática fica em segundo plano no Plano Decenal de Energia 2030



15 janeiro 2021    
Crise climática fica em segundo plano no Plano Decenal de Energia 2030
© WWF-Brasil
Documento do MME n?o apresenta a??es concretas para combater as mudan?as climáticas e desconsidera risco de se investir em fontes fósseis

O Plano Decenal de Expans?o de Energia 2030, cuja consulta pública encerra-se no dia 22 de janeiro, é o principal documento de planejamento do setor energético brasileiro. Elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética a partir de diretrizes definidas pelo Ministério de Minas e Energia, ele incorpora a vis?o do governo federal para todo o setor energético, tendo o propósito de nortear as políticas públicas e os investimentos públicos e privados em um horizonte de 10 anos.  

Por essa raz?o, é de se esperar que ele indique as mudan?as necessárias para diminuir a dependência dos combustíveis fósseis e as emiss?es de gases de efeito estufa do setor elétrico. Certamente s?o positivas as análises sobre a energia eólica offshore, que compreende um enorme potencial a ser desbravado, e a inser??o de termelétricas inflexíveis na base, que em tese permitiria às hidrelétricas ampliar seu papel de regula??o do sistema elétrico, facilitando a dissemina??o da energia eólica e solar. Também é positivo que o PDE 2030 aponte a relevancia de mecanismos importantes, como a precifica??o do carbono e a ado??o de solu??es baseadas na natureza, ambos os quais permitem incorporar de maneira mais consistente n?o apenas a quest?o climática, mas outros fatores socioambientais na expans?o da matriz energética.  

Infelizmente, a expans?o proposta para a matriz n?o indica uma evolu??o estrutural em dire??o à economia de baixo carbono, em linha com o objetivo do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global bem abaixo de 2°C até o fim do século. A leitura do PDE 2030 mostra que as  mudan?as climáticas s?o um problema secundário para o governo federal, supostamente longe de nossa realidade imediata. N?o há uma discuss?o sobre a transi??o energética para fontes renováveis de baixo impacto, notadamente para o segmento de transportes, maior emissor de gases de efeito estufa no setor de energia. A análise das emiss?es foca na compara??o com o proposto na NDC (contribui??o nacionalmente determinada) apresentada em 2015, a qual deveria ter sido revisada no ano passado. 

O PDE 2030 conclui que a oferta de combustíveis continuará sendo baseada em derivados de petróleo, sem explorar alternativas para migra??o para combustíveis sustentáveis ou analisar o risco de o país investir centenas de bilh?es de reais na explora??o do petróleo com a perspectiva de custos crescentes das emiss?es de carbono. Ademais, n?o se discutem os riscos econ?micos, ambientais e sociais da expans?o da explora??o de petróleo em novas fronteiras exploratórias: por serem áreas sobre as quais se tem menos conhecimento geológico, experiência operacional e infraestrutura instalada, elas est?o mais sujeitas a atrasos, acidentes e n?o previstos e até mesmo inviabilidade econ?mica para produ??o. Isso é especialmente verdade na margem equatorial, para onde a Petrobras prevê investimentos de US$ 1 bilh?o. é importante que o PDE 2030 aponte a necessidade da realiza??o das Avalia??es Ambientais de área Sedimentar para todas as bacias além das realizadas para as do Solim?es e Sergipe-Alagoas. Esse processo permite identificar potenciais impactos socioambientais de maneira sistêmica, o que evitaria a concess?o de áreas problemáticas, investimentos equivocados e processos de licenciamento conflituosos. 

Até mesmo o carv?o, altamente poluente, caro e de pouca relevancia para o Brasil, é considerado como op??o para gera??o de eletricidade. N?o faz sentido apostar em moderniza??o de térmicas a carv?o se já foi definido o fim de subsídios para a fonte via Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) em 2027. é uma quest?o de tempo para que os atuais investidores migrem desse setor, – possivelmente antes até do que se espera. Mais producente seria se o PDE 2030 propusesse políticas para descomissionamento delas, facilitando a migra??o da cadeia carbonífera – trabalhadores e empresas – para outras atividades.  

Por outro lado, alternativas inovadoras, como a inser??o do hidrogênio verde como combustível ou a utiliza??o da macaúba para a produ??o de biocombustíveis s?o deixados de lado. é necessário propor melhoramentos ao RenovaBio, aumentando sua abrangência e escopo, e avaliar em que medida o Brasil pode se beneficiar das sinergias que os biocombustíveis, os veículos elétricos e o hidrogênio podem oferecer. 

A retomada econ?mica e o combate à crise climática s?o prioritários para o desenvolvimento do país. é preciso que o setor energético, t?o intrinsicamente ligado a essas quest?es, também as trate como prioridades.
Crise climática fica em segundo plano no Plano Decenal de Energia 2030
© WWF-Brasil Enlarge
DOE AGORA
DOE AGORA
青青视频 青青视频免费观看 青青青免费视频在线