Brasil está entre os países que mais concentram desmatamento | WWF Brasil

Brasil está entre os países que mais concentram desmatamento



13 janeiro 2021    
Novo relatório do WWF-Internacional aponta Brasil como um dos países que mais concentram desmatamento
© WWF-Brasil
Com desmatamento em alta na Amaz?nia e Cerrado, país perde biodiversidade, afeta o clima global e pode ser o centro de origem de novas zoonoses

Por WWF-Brasil*


Um novo relatório do WWF-Internacional coloca o Brasil entre os campe?es de desmatamento e de fragmenta??o de florestas e outros ecossistemas entre 2000 e 2018. O fato de o Brasil ter duas frentes simultaneas de destrui??o – Amaz?nia e Cerrado – acende o farol amarelo sobre as possibilidades de sermos local de origem de nossas zoonoses.

Fruto de uma extensa pesquisa em 29 países, o relatório “Frentes de desmatamento: vetores e respostas em um mundo em um mundo em evolu??o”, divulgado nesta quarta-feira (13) e disponível para download ao lado, busca compreender onde o desmatamento e a fragmenta??o da floresta ocorreram, identificar suas principais causas e oferecer respostas.

O estudo se concentra em 24 frentes de desmatamento na América Latina, na áfrica Subsaariana, no Sudeste Asiático e na Oceania, onde ocorreu mais da metade (52%) do desmatamento total registrado nessas regi?es – uma área de 43 milh?es de hectares, quase a mesma extens?o do Marrocos.

Pelo menos dois ter?os da perda de cobertura florestal global nesse período ocorreram nessas regi?es tropicais e subtropicais. N?o por acaso, o surgimento de novas doen?as é elevado em regi?es tropicais, biodiversas e historicamente cobertas por florestas e savanas que est?o passando por mudan?as no uso da terra.

“Quando saudáveis, as florestas oferecem uma prote??o contra doen?as como a Covid-19. No entanto, quando as florestas se encontram sob ataque, suas salvaguardas s?o enfraquecidas, o que leva a uma dissemina??o de doen?as”, explica Marco Lambertini, diretor do WWF-Internacional.

O desmatamento e a degrada??o florestal est?o entre os principais fatores para o surgimento de doen?as zoonóticas como HIV/AIDS, Ebola, SARS, Febre do Vale Rift e, a partir de 2020, a Covid-19. Isso ocorre porque o aumento da densidade de animais em áreas desmatadas e degradadas também eleva as doen?as nessas popula??es de animais selvagens que, por sua vez, têm mais intera??es com pessoas devido à maior presen?a humana nas áreas de floresta degradada. Resultado: mudan?as no uso da terra contribuíram para quase metade das doen?as zoonóticas que afetaram humanos entre 1940 e 2005.

"Embora os números que estamos compartilhando hoje sejam alarmantes, o processo de recupera??o da pandemia da COVID-19 pode proporcionar uma oportunidade para o tipo de mudan?as transformadoras que s?o essenciais para salvaguardar nossas florestas - mudan?as que foram identificadas como necessárias por algum tempo", diz Fran Raymond Price, líder da Prática de Florestas no WWF Internacional.

“Neste momento em que governos criam políticas para lidar com os impactos econ?micos e sociais da pandemia global, devemos lidar com o consumo excessivo e valorizar mais a saúde e a natureza do que a ênfase esmagadora atual no crescimento econ?mico e nos lucros financeiros a todo custo. Isto é do melhor interesse da humanidade: mudan?as no uso da terra s?o um dos principais vetores de novas zoonoses, portanto, se n?o enfrentarmos o desmatamento enquanto podemos, podemos perder nossa chance de ajudar a evitar a próxima pandemia".

Combate à crise climática

O combate ao desmatamento deve ser reconhecido como um componente vital para a mitiga??o da crise climática. "Os setores agrícola, florestal e de uso da terra s?o responsáveis por cerca de um quarto de todas as emiss?es globais de gases de efeito estufa”, destaca Pablo Pacheco, cientista líder de florestas do WWF. Enfrentar o desmatamento é essencial para cumprir também as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e outros acordos globais.

Para os autores, as respostas para lidar com o desmatamento e suas causas precisam ser inclusivas e adaptadas ao contexto local e regional. N?o existe uma abordagem única para todos e as solu??es têm sido mais eficazes quando várias op??es de resposta s?o combinadas, incluindo solu??es de mercado, como Pagamentos por Servi?os Ambientais e acordos setoriais, como a Moratória da Soja na Amaz?nia.

Os compromissos corporativos com cadeias livres de desmatamento também têm um importante papel a desempenhar nesse contexto. O reconhecimento e a prote??o dos direitos territoriais dos povos indígenas e comunidades locais, que permitem a manuten??o de seus modelos de governan?a e economias locais, têm mostrado bons resultados.

Nove das 24 frentes de desmatamento est?o na América Latina, uma regi?o que experimentou um declínio particularmente dramático nas popula??es da fauna selvagem, da ordem de 94%, segundo a edi??o de 2020 do Relatório Planeta Vivo. Outras oito est?o na áfrica e sete na ásia-Pacífico. Quase metade dos ecossistemas nessas frentes - cerca de 45% - sofreu algum tipo de fragmenta??o.

áreas fragmentadas e bordas de mata s?o mais sujeitas a incêndios, além de mais fáceis de acessar e mais suscetíveis a impactos humanos. Essas tendências s?o alarmantes porque os trópicos abrigam 45% das florestas do mundo, além de outros ecossistemas extremamente relevantes.

Em todo o mundo, a agricultura comercial, especialmente em larga escala, é a principal causa do desmatamento de áreas para pecuária e o cultivo de commodities. A minera??o e a expans?o da infraestrutura, tais como redes de estradas de ferro e rodovias, que conectam as zonas de produ??o aos mercados domésticos e de exporta??o, s?o outros dois importantes vetores.

Cenário brasileiro

Dados consolidados do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), indicam que a área desmatada na Amaz?nia brasileira chegou ao nível anual mais alto desde 2008 — um total de 11.088 km2 entre agosto de 2019 e julho de 2020.

No Cerrado brasileiro, onde vivem 5% dos animais e plantas do planeta, foram perdidos 7.340km2 no mesmo período, um valor 13% superior ao ano anterior. Segundo o estudo do WWF, apenas na “frente de desmatamento” do Cerrado (que corresponde à por??o norte do bioma), um ter?o (32,8%) da área florestal remanescente foi perdida entre 2004 e 2017, principalmente para a produ??o de gado e soja.

"Pensar no Cerrado daqui a 50 a 60 anos me faz sofrer”, lamenta Ana Cláudia Mota da Silva, membro da comunidade afrodescendente de Mumbuca, no Tocantins. “Sabendo que nossos rios est?o secando, que tantas árvores est?o morrendo, temo que meus descendentes n?o vejam que eu vi.”

Dados de 2019 e 2020 comprovam que o desmatamento na Amaz?nia e no Cerrado continua – e cada vez mais acelerado. “O Brasil tem duas frentes simultaneas entre as regi?es que mais devastam a vegeta??o nativa do planeta”, destaca Edegar de Oliveira Rosa, diretor de Conserva??o e Restaura??o do WWF-Brasil.

Segundo ele, o governo brasileiro a relaxou as regulamenta??es e fiscaliza??es ambientais, fazendo com que o país atingisse seu maior nível de desmatamento desde 2008, em meio a um aumento da extra??o ilegal de madeira, garimpos ilegais e desmatamento.

Entre agosto de 2019 e julho de 2020, mesmo com desmatamento subindo 9,5% da taxa já elevada do período anterior, o IBAMA aplicou o menor número de multas administrativas por desmatamento ilegal desde sua cria??o: 42% a menos que no período anterior, caindo de 3.403 para 1.964 autos de infra??o. “Desmatar para produzir commodities agropecuárias é uma ironia, pois já come?a a afetar diretamente as safras e a qualidade das pastagens por causa da redu??o das chuvas”, diz Rosa.

Mariana Napolitano, gerente de ciências do WWF-Brasil, lembra que “a Amaz?nia brasileira está perto de atingir um ponto de inflex?o, no qual a floresta n?o será mais capaz de manter seus ciclos e processos naturais, e as por??es mais afetadas sofrer?o diminui??o das chuvas e períodos de seca prolongados.”

Segundo ela, a tendência de altera??o do clima no país é refor?ada pela destrui??o do Cerrado brasileiro. Savana com maior biodiversidade do mundo, o bioma desempenha um papel essencial no apoio ao ciclo da água no Brasil como fonte de oito das 12 bacias hidrográficas do país. O desmatamento contínuo pode reduzir a precipita??o e aumentar as temperaturas locais, colocando em risco a vegeta??o remanescente, a
subsistência e a produ??o de alimentos.

Como você pode ajudar

Cuidar dos nossos ecossistemas é cuidar de nós mesmos. Ajude o WWF-Brasil a conservar a Amaz?nia e o Cerrado Brasileiros: doe.wwf.org.br #CuidarCome?aAgora

*Atualizado em 14/01/2021
Novo relatório do WWF-Internacional aponta Brasil como um dos países que mais concentram desmatamento
© WWF-Brasil Enlarge
DOE AGORA
DOE AGORA
青青视频 青青视频免费观看 青青青免费视频在线