Conhe?a um animal de cada bioma brasileiro | WWF Brasil

Conhe?a um animal de cada bioma brasileiro



12 janeiro 2021    
Infelizmente, o que todas as espécies de animais dos sete biomas brasileiros têm em comum é a amea?a à sua sobrevivência
© WWF-Brasil
Nosso país está em 1o lugar no ranking mundial de diversidade 

Por Taís Meireles 


Com mais de 8 milh?es de km2, o Brasil está em 1o lugar no ranking mundial de diversidade. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, s?o mais de 15 milh?es de espécies, incluindo animais, plantas e insetos. Além da variedade incrível, nosso país se destaca pelo grau de endemismo, ou seja, de espécies que ocorrem exclusivamente por aqui. 

Para se ter uma ideia, só de espécies vegetais, nós temos 55 mil espécies, 22% do total do planeta. Das 524 espécies de mamíferos que vivem aqui, 131 s?o endêmicas; das 517 de anfíbios, 294 s?o endêmicas; das 1.622 de aves, 191 s?o endêmicas; e das 468 de répteis, 172 s?o endêmicas. Isso sem contar nas 3 mil espécies de peixes de água doce e entre 10 e 15 milh?es de insetos. 

Já falamos aqui sobre as árvores e hoje vamos apresentar um animal de cada bioma brasileiro. 




O bioma que nos torna mais famoso mundo afora é na verdade dividido com Bolívia, Col?mbia, Equador, Guiana, Peru e Venezuela. Ainda assim, mais de 60% dele está em território nacional. Para se ter uma ideia de sua grandiosidade, se a Amaz?nia fosse um país, seria o 7o maior do mundo. 

Por lá, já foram classificadas pelos cientistas mais de 17 mil espécies, sendo que muitas nem sequer foram descobertas ainda. Dentre os destaques, está o maior golfinho de água doce do mundo. 

Protagonista de muitas lendas da Amaz?nia, o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) é um indicador da qualidade da água e equilíbrio dos rios. Tem olhos bem pequenos e focinho alongado, mas sua simpatia n?o impede que ele sofra duas grandes amea?as:  a pesca incidental e o isolamento das popula??es pela constru??o de hidrelétricas. 

Para proteger o boto-cor-de-rosa, o WWF se uniu aos parceiros Faunagua, Funda??o Omacha, Instituto Mamirauá, Instituto Aqualie, entre outros, na Iniciativa Botos da América do Sul. Para apoiar esse e outros trabalhos do WWF-Brasil na conserva??o da Amaz?nia, fa?a uma ado??o simbólica do boto




No idioma tupi, Caatinga quer dizer Mata Branca, referente à vegeta??o sem folhas que predomina durante a época de seca no bioma. A Caatinga ocupa quase 10% do território brasileiro e tem 327 espécies animais endêmicas e 323 espécies vegetais endêmicas. Infelizmente, cerca de metade da paisagem do bioma já foi deteriorada pela a??o do homem e hoje entre 15% e 20% da Caatinga está em alto grau de degrada??o (com risco de desertifica??o). 

Entre as espécies da regi?o, está a ave com um dos maiores riscos de extin??o no Brasil, a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii). Vítima do tráfico de animais silvestres, ela havia sido declarada oficialmente extinta na natureza em 2000, mas duas décadas depois, está de volta! 

Em mar?o de 2020, 52 ararinhas-azuis (26 machos e 26 fêmeas) foram devolvidas à Caatinga por meio de um programa de reprodu??o em cativeiro realizado por uma organiza??o da Alemanha, em parceria com o governo brasileiro. 

Você pode apoiar a ararinha-azul e outras espécies amea?adas pelo tráfico de animais silvestres e o desmatamento, sendo um ativista virtual.




Em seus mais de 2 milh?es de km2 de extens?o, o Cerrado é rico em raízes, cascas, resinas, óleos, folhas, argilas, água, e outros diversos recursos naturais, que s?o minuciosamente manejados por seus povos na prática da medicina popular. 

Também é neste bioma que se encontram as cabeceiras da maioria dos principais rios e bacias hidrográficas do país –Xingu, S?o Francisco, Araguaia-Tocantins, Parnaíba, Tapajós, afluentes do rio Paraná e todos os rios que formam o Pantanal. Das 12 principais bacias hidrográficas brasileiras, oito s?o irrigadas pelas águas que nascem no Cerrado. 

O bioma também é a casa de pelo menos 227 espécies ?de? mamíferos. Muitos deles encontram-se amea?ada de extin??o?,? como o tatu-canastra (Priodontes maximus), considerado o maior tatu do mundo, com até 1,5m de comprimento e até ?60kg?. 

Além de ser o maior, é o mais raro tatu do mundo. A espécie encontra-se nas listas nacional e mundial de espécies amea?adas de extin??o, classificada como vulnerável.  

A ca?a e a perda de habitat s?o as principais amea?as ao tatu-canastra, que raramente é encontrado em habitats alterados -hoje 47% da área original do Cerrado já foi convertida para outros usos. Seja um ativista virtual e ajude a proteger o Cerrado, um dos biomas mais amea?ados do Brasil. 




O bioma mais populoso do Brasil e recordista mundial em biodiversidade, também é uma das florestas mais amea?adas do planeta, com apenas 12,4% de sua área original (Atlas SOS Mata Atlantica 2019). A Mata Atlantica é essencial para a biodiversidade, estabiliza??o do clima, fornecimento de água, conserva??o do solo, vida e bem-estar de todos que vivem nela.  

S?o cerca de 1.020 espécies de aves, 20.000 de árvores e arbustos, e 298 de mamíferos vivendo na Mata Atlantica. Dentre eles, o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides), também conhecido como mono carvoeiro e apelidado de macaco do abra?o, por seus membros alongados. 

O maior primata das Américas é também considerado um dos maiores “restauradores da floresta”, pois, em apenas um dia, pode dispersar sementes de até oito espécies de plantas. Com isso, o muriqui ajuda a conservar a Mata Atlantica, que abriga mananciais de água potável que abastecem os grandes centros urbanos do sudeste do Brasil. 

Assim como muitas outras espécies, o muriqui-do-sul está criticamente amea?ado de extin??o – restam pouco mais de 1.200 indivíduos na natureza, que est?o fragmentados em mais de 20 grupos. As maiores amea?as s?o a perda de habitat natural e a ca?a. Você pode ajudar a protegê-lo adotando simbolicamente a espécie e colaborando com o trabalho do WWF-Brasil na Mata Atlantica.




A costa brasileira tem 9 mil km de extens?o e abriga um ecossistema único com 3 mil km de recifes de corais e 12% dos manguezais do mundo. Uma das espécies endêmicas dos nossos mares é a toninha (Pontoporia blainvillei), um tipo de golfinho que ocorre desde o Espírito Santo até o Rio Grande do Sul, e também na Argentina e no Uruguai. Infelizmente, é uma das principais espécies de cetáceos amea?adas de extin??o no Brasil e precisa ser protegida de sua principal amea?a: a captura acidental em redes de pesca. 

Ao mesmo tempo em que é um dos golfinhos mais amea?ados, é também um dos menos conhecidos, porque é muito difícil vê-los vivos, interagindo. Diferente de outros golfinhos, a toninha n?o salta na água, foge ao ouvir o som de embarca??es e n?o costuma nadar em grandes grupos. Todas essas características, dificultam o trabalho de pesquisadores de diferentes institui??es que vêm estudando o animal há duas décadas para auxiliar na sua conserva??o. 

Para ajudá-los, você pode come?ar lendo o Guia de Consumo Responsável de Pescado Brasil, um estudo do WWF-Brasil que mostra quais tipos de produ??o de pescado (pesca e aquicultura) causam menos impactos no meio ambiente -inclusive na toninha- e quais as espécies de peixes, crustáceos e moluscos s?o indicadas para consumo ou devem ser evitadas. 


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Restrito ao estado do Rio Grande do Sul, o Pampa é um bioma caracterizado por suas serras e planícies, indo de morros rupestres até colinas. O veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus), também conhecido como veado-branco e, em países vizinhos de língua espanhola, como ciervo de las pampas, ciervo pampero, venado pampero e venado de campo, é uma das mais de 100 espécies de mamíferos terrestres que vivem na regi?o. 

Vivem em pequenos grupos de cinco ou seis indivíduos e cada animal pesa entre 30 e 40 quilos. Os machos possuem chifres ramificados, que s?o trocados anualmente. 

Visto pela primeira vez pelos cientistas em 1758, hoje o animal ocupa apenas 2% de sua área de distribui??o original. Ocupa áreas abertas e, originalmente, estava presente em todo o Cerrado brasileiro, Pantanal e Campos Sulinos em numerosas popula??es, estimadas em dezenas de milh?es de indivíduos. Agora, estima-se que a espécie n?o possua mais que 100 mil indivíduos. 




O Pantanal possui uma rica biodiversidade. é o ber?o 4.700 espécies, entre animais e plantas. Só de aves s?o 656 espécies, dentre elas, o tuiuiú (Jabiru micteria), ave-símbolo do Pantanal. Maior iconídeo do bioma, essa ave chega a ter mais de 2 metros de envergadura com as asas abertas. 

O tuiuiú pode ser encontrado nos mais diversos habitats, com maior abundancia nas áreas de savana (campo/cerrado), que consiste em gramíneas altas, com arbustos e florestas. Ave migratória, predomina no Pantanal entre abril e dezembro. 

Durante toda a vida, o tuiuiú tem apenas um ninho, bem grande (de até três metros), que acomoda seus quatro ovos, que s?o cuidados tanto pelo macho quanto pela fêmea até os filhotes completarem três meses. Por isso, depende de habitats conservados, longe de desmatamento e queimadas. 

Para conservar o tuiuiú e as demais espécies do Pantanal, o WWF-Brasil atua diretamente em projetos que promovem o equilíbrio entre o desenvolvimento da regi?o e a conserva??o da natureza. Neste ano, também apoiamos os trabalhos de combate ao fogo, na maior temporada de queimadas do Pantanal das últimas décadas. Apoie nosso trabalho em defesa da vida.

O avan?o do desmatamento, ca?a e doen?as transmitidas por animais de cria??o humana s?o as principais amea?as. Sua sobrevivência depende da cria??o de unidades de conserva??o, mais estudos científicos, combate à presen?a de animais domésticos dentro de unidades de conserva??o, coibi??o da ca?a, entre outras a??es. 

Infelizmente, o que todas as espécies de animais dos sete biomas brasileiros têm em comum é a amea?a à sua sobrevivência. Segundo o Relatório Planeta Vivo 2020, da Rede WWF, as popula??es de animais tiveram uma queda alarmante de 68% desde 1970.  

Se a natureza n?o tiver futuro, nós também n?o teremos. Fa?a uma doa??o e nos ajude a proteger a vida. Inclusive a sua: http://wwf.org.br/doe
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